segunda-feira, 30 de abril de 2012

Justiça


No auge da sua idade, tentando se lembrar.
Da vida difícil,
Das escolhas mal feitas.

A culpa ainda pesando no seu ombro.
As pessoas a quem magoou,
As vidas que estragou.

As lágrimas descendo sem parar,
No rosto enrugado as marcas de suas ações,
Como esquecer o passado que atormenta?

O som dos gritos ecoando,
Crianças chorando,
Vidas se apagando.

Sentada em seu confortável sofá,
Recordando-se da vida miserável.
Os ultrajes cometidos.

A solidão parece agora distinta, á culpa.
A última fala de seu companheiro,
Palavras que ainda pesam ao ouvido.

Cobranças, lembranças, medos.
O que fazer, senão puxar o gatilho?
E foi feito.

O chão agora, tomado de um vermelho escarlate.
Seu corpo frio, repousando no tapete caro.
A culpa se foi, as vozes estão apagadas.

O que resta agora é a carta de perdão.
O julgamento foi feito, cobrado na mesma moeda.
O coração arrependido, agora jaó não bate mais.

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